11 razões para você ter (ou ser) seu próprio coach

por Gil Kelmer

 

A atividade de coaching está numa ascendente e existem algumas razões fáceis de se observar que explicam isso. O meu caso é um bom exemplo.

No início de 2017, eu procurei o coaching sem conhecê-lo muito bem. Foi na base do desespero mesmo. Eu tinha acabado de me mudar para a Europa e o tema “trabalho” era uma absoluta incógnita pra mim.

O coaching, porém, gerou tranformações além da área profissional. Mexeu tanto comigo que, terminado o processo, eu não conseguia conviver com a ideia de ver recursos tão valiosos se perderem. Eu queria continuar sendo coach de mim mesmo, por isso decidi estudar.

Sem dúvida, essa é uma das razões que fazem a atividade crescer tanto. Muitos dos que são tocados pelo coaching querem dominar a metologia para continuar passando o bem adiante, seja aplicando em si mesmos, seja atuando como coach.

A formação toma pouco tempo e tem um investimento relativamente baixo se comparado ao imenso impacto que os recursos e ferramentas que aprendemos exercem em nós e no nosso entorno.

Quando procurei o coaching, eu não sabia o que ia encontrar. Eu imaginava que só contratava esse serviço quem quisesse melhorar sua atuação profissional dentro de uma empresa (coaching executivo ou de carreira).

Visão limitada.

Mais tarde eu descobri que existia o Life Coaching. Achei o termo um tanto presunçoso. Como pode alguém se achar na capacidade de treinar outra pessoa a viver?

Visão limitada.

Coaching não tem a ver com treinar, ajudar ou ensinar. Verbos que melhor definem o processo são conduzir, facilitar, desenvolver.

Se você também estava com uma visão pouco clara sobre o coaching, esse é um bom momento para eu apresentar a primeira razão para você ser ou ter seu próprio coach.

Razão número 1: O coaching expande a sua visão de mundo.

Expande em um nível que você passa a ter consciência de que a sua visão é apenas… adivinha?

A sua visão.

Existem várias outras que você sequer conhece. Empatia e respeito passarão a fazer parte do seu dia a dia como nunca antes.

Aprendemos que a nossa forma de ver a vida é restrita, limitada e com lacunas de ignorância mesmo sobre os assuntos que dominamos (ou achamos que dominamos).

Você aprende que na vida existem as coisas (leia-se habilidades, assuntos, conceitos) que você sabe que sabe, as que você não sabe que sabe, as que você sabe que não sabe e as que você não sabe que não sabe.

Pegou?

Se não, volte e leia até ficar claro porque isso é bacana demais.

Esse emaranhado de "saberes e não-saberes" é parte de um conceito que chamamos de mentalidade de crescimento, desenvolvido pela professora de psicologia Carol Dweck. Trabalha-se bastante isso num processo de coaching.

Aprenda a duvidar das suas certezas. Fique feliz quando descobrir que não sabe algo. Descubra mais coisas que você não sabe. Aprenda todo dia, especialmente com as dificuldades.

Entender os obstáculos que a vida nos apresenta são evidências de que estamos caminhando faz a gente se apaixonar pela vida e pela habilidade de resolver problemas. Nossa capacidade de aprender (e de aprender a aprender) é uma infinita.

O coaching facilita a mudança de perspectiva, nos faz enxergar o mesmo ponto por diferentes ângulos e, por isso, resolver problemas torna-se mais fácil.

Razão número 2: No coaching, problemas perdem o protagonismo.

No começo você fica até meio atordoado. Aconteceu comigo durante o processo. Eu tentava reclamar e falar de problemas, mas para cada dificuldade que eu colocava para fora, uma pergunta voltava na minha direção e me fazia olhar para dentro – que é onde moram as respostas.

A propósito, se você espera receber conselhos de um coach, você está procurando o profissional errado. Espere perguntas.

Razão 3: Coaching é a arte de fazer perguntas poderosas. Perguntas que geram reflexões, soluções, energia, movimento.

As perguntas são como aqueles sacolejos que às vezes a gente precisa tomar. Eu sei que, falando assim, talvez pareça que o processo é desconfortável. E é mesmo, porém, é um desconforto que ensina algo muito importante:

Razão 4: Você vai aprender a cuidar melhor de si, ser mais gentil consigo, melhorar seu diálogo interno.

O autoconhecimento faz com que você aprenda a cuidar bem da sua mente. Você pode aprender a monitorar as conversas que tem consigo e vivenciar mais estabilidade emocional. Sem isso, dificilmente uma mudança será sustentável.

Falando em mudanças…

Razão 5: Coaching é ação, é mão na massa, é botar pra fazer.

Decisão sem ação não é decisão, é só intenção. O coaching nos ensina a ser práticos, não tem conversa mole ou positivismo barato. Tem positivismo, claro, mas o que faz o processo funcionar é você e o seu comprometimento.

E aqui eu apresento a sexta razão:

Razão 6: comprometimento e accountability.

Accountability é um termo difícil de traduzir com eficácia para o português. Tem a ver com comprometimento num sentido amplo, é como uma auto-responsabilização para que as coisas funcionem.

Sabe a expressão “olhar de dono”? Accountability é você assumir de vez que você é o dono da sua vida e se comprometer integralmente a fazer o que deve ser feito.

Se o que está faltando para você é comprometimento, juntos, você e seu coach vão descobrir as razões pelas quais você é comprometido com tantas outras coisas na vida, mas não com você mesmo.

Às vezes, é só falta de clareza sobre o que se quer. Às vezes, é o medo da mudança. Às vezes são crenças limitantes ou uma configuração mental pouco produtiva. Mas tudo tem conserto.

Razão número 7: coaching é um pílula de efeito prolongado.

Isso é meio óbvio, eu sei. Todas as experiências que temos na vida têm um efeito prologando sobre nós; umas menos, outras mais. Algumas eternas.

Mas imagine um processo que transforme você, que gere tanta energia e mudança para um estado positivo que, prologando isso por mais tempo, seus bons resultados também se prolongam.

Parece bom?

Pois foi por isso que eu decidi me formar como coach. "Tem que manter isso daí", pensei.

Razão 8: se você dominar e guardar bem os recursos dentro de você, você poderá fazer auto-coaching para sempre.

Ou, quem sabe, assumir o coaching como atividade profissional, com eu fiz. Se você gosta de lidar com gente, de impactar positivamente o mundo e se manter conectado, se liga na razão 8.

Razão 9: o coaching vai proporcionar a você novas conexões com pessoas na mesma página.

Imagine-se trabalhando com pessoas na mesma página da vida, gente querendo crescer, se autoconhecer, impactar o mundo positivamente, agir com mais propósito.

Acredito que essa seja a principal razão para o crescimento exponencial do mercado de coaching. A vontade de ser uma pessoa melhor e contribuir para que outras pessoas também o façam é contagiante.

É claro que nem todo mundo leva jeito para ser coach. Para muitas pessoas, a formação serve para transformá-las em melhores líderes, melhores mães, melhores profissionais, pessoas melhores. Ou seja, se formar como coach não vai transformar todo mundo em coach profissional, mas… 

Razão 10: sendo um coach, você terá conhecimento de causa suficiente para identificar os bons coaches já atuantes no mercado, caso você precise de um.

O que faria você procurar um coach? Qual a sua razão para ser (ou ter) seu próprio coach? O que você deseja conquistar, mudar, fazer, transformar? Deixo a resposta dessa pergunta como sendo a razão número 11. A sua razão.

Gil Kelmer é Especialista em Marketing e Comunicação e Personal Coach certificado (International Association of Coaching Institute). Graduado em Publicidade e Pós-Graduado em Marketing e Negócios, por mais de 10 anos atuou como redator criativo em agências de propaganda. Hoje, fora das agências de propaganda por decisão própria, seu negócio é ajudar pessoas que desejam transformar suas vidas em um negócio com significado ou fazer com que seus trabalhos sejam parte de uma vida com mais sentido. Gil é também parte do time de comunicação e relações públicas do TEDxVienna.

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